Vizinho


O meu vizinho Rui Reininho, aparentemente sem moralizar, é talvez o melhor letrista pop Português (e ao) vivo. Gosta de se esconder na Bellevue, mas os concertos dos GNR são sempre muito mais que as faixas gravadas e as não gravadas (adorei o "cover" do Roberto Carlos: "quero que você me aqueça nesse Inverno, e que tudo mais vá para o inferno... quero que você me aqueça no trabalho e que tudo o mais vá para o ...)".
Assim, vizinho (como ele se dirigiu ao público no concerto integrado no Senhor de Matosinhos), para este ano queremos mais !
Um reparo a propósito dos 25 anos dos GNR e do álbum de tributo : Já não há bandas de rock and roll em Portugal ? com guitarras e tal ?

"This is your captain speaking !"


Xaramaneco orgulha-se de apresentar uma emissão de rádio sem portadora, uma viagem de avião ou uma tentativa de influência subliminal!

"This is your captain speaking !" é tudo isto.

Excertos de "apocalypse now" ou "2001", entre outras influências sonoras.

A 1a. emissão é composta de 6 partes (ver coluna da direita).
Deixem mensagens caso queiram mais...


Quem vê TV...



Num destes dias era transmitido um jogo de futebol na televisão Portuguesa. Reparei que apareciam no écran todas estas menções: Tempo e resultado, logo do canal, "directo" e página de teletexto. Para quando barra de informação desportiva em rodapé, publicidade aos sponsors da transmissão, índice da bolsa ou meteorologia ?

O outro


Crash – Colisão (Paul Haggis) – É um filme sobre racismo, mas um filme romântico sobre racismo (?!), porque feito sobre a perspectiva cartesiana de um Deus Bom (ver como o último plano tem uma tomada de câmara superior sobre mais um incidente mundano, buscando depois a skyline da cidade). O racismo, em si próprio, quase parece não existir. Existem os incidentes e as circunstâncias (como colisões), e a primeira pedra, para atirar numa disputa, é a da diferença, seja ela a da cor da pele, língua, cultura ou classe social. O realizador brinca com as situações e com o espectador, desmontando preconceitos nalgumas vezes e reforçando-os noutras (!), num sublinhado de ironia delicioso. Como interpretar que o polícia (aparentemente) racista acabe por salvar quem tinha molestado, e seja o bom polícia que acabe por matar um negro, ao erradamente antecipar um movimento suspeito? Como interpretar que o comerciante de origem Persa, dispare sobre o serralheiro latino que parecia ser o culpado de todos os seus problemas, e que as balas da sua arma sejam de pólvora seca, porque o armeiro branco se escusou a precisar esta informação ? E que com isto se salve uma vida inocente ? Não é determinista mas é compreensivo. Não é filosófico mas circunstancial. Afinal parece que todos se dão mal e todos se amam, dependendo das situações. RECOMENDO!

Amor eterno na escadaria


A casa da música também serve para algo que não tinha antecipado ! promover um cenário para sessões fotográficas matrimoniais!

Nuestros hermanos!



Desconheço as razões que invocam os naturais de Canas de Senhorim para justificar a pretensão da elevação da sua freguesia a concelho. Têm o direito de o fazer, mas ainda me lembro de assobios e apupos durante "A Portuguesa" num 10 de Junho. Agora, a propósito da visita do Presidente da República ao concelho de Nelas, vi alguns habitantes de Canas hasterarem e envoltos em bandeiras espanholas. Por momentos quase desejei que fossem desterrados para Espanha, mas passou-me rápido. Desejei-lhes serem munícipes de Nelas!

Eles andam aí!


Visitei a casa da música (2 aéreos). Não tenho dúvidas que se trata de uma nave espacial, de origem desconhecida, inteligentemente disfarçada de edifício. A sala de comando, no último andar, está repleta de azulejaria tradicional (mapas estelares, concerteza) e tem uma vista fantástica sobre a cidade, até ao mar. Atenção cosmonautas: música contemporânea e não (dita) erudita também é música e devia ter lugar na casa (e na sala grande).

Mr. Anderson


Encontramo-nos outra vez. Não sei o que o oráculo lhe disse, mas não há nenhum escolhido ou "the one". Pode ter algum talento a interpretar a pseudo-relidade, mas a Matrix é indestrutível. As leis da física e da matemática não lhe permitem controlar a realidade totalmente. Vai sempre haver alguma coisa que o pode derrotar. Desta vez vou atirar-lhe com o Ronaldinho Gaúcho e o Barcelona. Veremos o que faz e até onde está determinado.
E claro, Mr. Anderson, se superar esta prova, daqui a uns anos, experimente ser campeão do Mundo com a selecção Nacional, de Portugal. Se o conseguir, então o oráculo estará certo.
Good-bye, Mr. Anderson...



Atrás do presente


Essa pena que sinto a ver velhas fotografias de gente desconhecida. Estamos sempre um respirar atrás do presente.
Nas fotografias de família dos anos setenta, no matraquear surdo das películas de super-8, nos discos de vinil, nos telemóveis da geração anterior. Os coletes de fazenda coçada comprada a metro e os anoraques de corte esquimó. Os relógios digitais com números de côr cinza tecnológica. Rádios despertadores a imitar placards de gare de comboios. Mais um pôr de sol a suspender o Verão. As camisolas do Mundial do México. Os brinquedos made in Taiwan.
O futuro não chega jamais, apenas vamos perdendo o presente.
Essa pena que sinto a ver velhas fotografias de gente desconhecida, sinto-a eu.


Imagem de "Aniki Bóbó" de Manoel de Oliveira.
Banda sonora do filme "Brazil-O outro lado do sonho" de Terry Gilliam (1985)-interpretação de Kate Bush.

Os homens do Presidente


Acaba de ser editada em Portugal, no formato DVD, a 2ª. Série de “Os homens do Presidente” ou “The West wing”, no título original. Trata-se de uma série ficcional, baseada no quotidiano do staff político do Presidente dos Estados-Unidos.
Inteligente, com muito ritmo, faz lembrar “a balada de Hill Street” na Casa branca. O ritmo é enfatizado por opções de tomadas de planos muito interessantes, travellings, etc. O Presidente é interpretado por Martin Sheen (democrata). Esta série chegou a passar na televisão Portuguesa comercial, mas como tudo que tem qualidade foi sendo arrastada para a madrugada.
Recomendo.

Meritíssimo Costa


Num tribunal, a forma de tratamento mais usada para nos dirigirmos a um Sr. Dr. Juiz é por "Meritíssimo". Acho que qualquer forma respeitosa seria o suficiente. A forma superlativa parece fazer descansar o Juíz que não temos dúvidas quanto ao seu mérito. Eu sei que um Juiz tem uma espinhosa missão, só desempenhada por Deus e Reis, de julgar um semelhante. E não pode dizer numa conversa "quem sou eu para julgar os outros?"
Já decidi que quando chamar o canalizador, Sr. Costa, óptimo profissional, e que não leva caro, lhe abrirei a porta com um sonoro "boa tarde, Meritíssimo Costa !".