Viagem ao interior da noite


A viagem à noite do Porto (como à de outra qualquer cidade) assemelha-se a um documentário da vida selvagem. Por detrás do bar, entre os gins e as cervejas adivinha-se um Sir Richard Attenborough, cuja voz é dobrada, como sempre, pelo mítico Eduardo Rêgo: "Os machos disponíveis deambulam por entre as fêmeas, seleccionando-as pelos aparentes sinais de disponibilidade". Não há tempo nen paciência para um grau de conhecimento mais profundo (afinal foi disso que eles e elas fugiram). (Un)dress code e outros acabementos decorativos, junto com o "body language" destacam-se como anúncios de néon a cintilarem "temos vagas". Sorrisos alcoolizados em especial, fazem voltar a barbatana dorsal na direcção da presa. Aproximação sorrateira e sincronização aos movimentos da fêmea. Algumas palavras, que para serem audíveis são proferidas praticamente com a língua no canal auditivo, aumentam o nível da ameaça.
Até hoje, os cientistas ainda não identificaram que mensagem, passível de caber em algumas palavras, pode um espécimen adulto dizer a um desconhecido, avisado, para iniciar a segunda e mais arriscada fase da aproximação, sem que um deles ou ambos, não se desfaçam em risos por tão desajeitada e inútil tentativa de dizer outra coisa que não o óbvio.
E quando tudo parecia desastrosamente perdido, eis que a fêmea se contorce batendo alegremente as barbatanas. Afinal, valorizamos socialmente o hedonismo biológico.  
Chegados a este ponto, lembramos que a última espécie que se escarnecia as tentativas desajeitadas na obtenção dos favores do sexo oposto, acabou extinta.
Com a manhã, esta liça noturna dissolve-se em torradas, compras semanais, máquinas de roupa para estender, sopa para três dias, almoços de família, renovação de promissórias bancárias e o ranho dos filhos. Onde está a radiante aura de promessa de felicidade às 11.33 de todas as manhãs? Restam somente irrelevantes transeuntes perpétuos.
Sem tempo para mais, porque a noite e a vida acabam e a espécie é mais importante do que o indivíduo, a Natureza há-de sempre ser servida. Alguém para aperitivos?           

Grande turismo

A partir do século XVII, os jovens das elites sociais Inglesas iniciaram o hábito de terminar a sua educação clássica com uma viagem, pelo continente Europeu: O Grand Tour. O percurso poderia ter algumas variantes, mas obrigatoriamente incluía Paris, Veneza, Florença e sobretudo Roma. Nápoles, com Pompeia e Herculano também eram normalmente visitadas. A volta fazia-se com a travessia dos Alpes. Esta épica viagem durava entre dois a quatro anos e foi também seguida por jovens de outros países do Norte da Europa e mesmo da América. A viagem visava complementar a educação formal, abrir horizontes, a busca da arte e da inspiração, temperada com uma certa joie de vivre e alguns prazeres mais libertinos. Exemplos da inspiração do Grand Tour podem ser vistos na obra de arquitectos como Cristopher Wren (Catedral de S.Paulo, em Londres). 

Incursoes na cozinha - Ovos Benedict

Numa missão de busca e destruição, o Xaramaneco entrou na cozinha e saiu com uns ovos benedict "ajantarados": Pão de Moncorvo torrado, presunto, ovos pochêt e molho holandês.

Legos, quero legos !


A Nasa vai lançar a sonda Juno para estudar o planeta Júpiter.
A bordo seguem três figuras da Lego representando os deuses romanos Júpiter e Juno, bem como o "pai" da exploração espacial, Galileu Galilei. A iniciativa faz parte de um acordo entre a NASA e a Lego para atrair mais jovens  para a investigação e a ciência.
Nas mitologias grega e romana, Júpiter cobriu o mundo com um véu de nuvens para esconder da mulher as suas intenções para com Io, uma bonita ninfa.  Mas Juno, desconfiada, conseguiu revelar a verdadeira natureza do deus.
Também a sonda tentará observar para lá da atmosfera densa de Júpitar em busca da verdade.
Acresce que Galileu foi o descobridor das 4 grandes luas de Júpiter, e a sua figura lego transporta um telescópio.  

O aniversário de Vénus

"A arte dá-te os parabéns", em qualquer museu estatal Italiano, no dia do aniversário. Auguri pela ideia e pelo conceito do cartaz.

Banda sonora para Florença

Na antecipação da viagem a Itália, questionei-me qual seria a banda sonora que elegeria para um fim de tarde na Ponte Vechio. Munido de um Mp3 player e uma short list de temas candidatos, a faixa eleita foi uma surpresa para mim.Mas a confirmação, no dia seguinte, foi feita com Florença aos pés.

People going nowhere


Produções Xaramaneco apresentam "People going nowhere", um filme de suporte ao tema "celebrate", por Dark Dark Dark, que por sua vez suporta o pôr-do-sol de costas para o mar.
Filmed on location at Matosinhos boardwalk.

De A para B, com duas voltas à rotunda



O concerto começara. O Matt asssumiu a posição quase fetal "a duas mãos" sobre o microfone.
O meu carro planava na estrada vazia, sob o pôr-do-sol. Essas são as estranhas tardes em que cada semáforo é uma dádiva e o objectivo é não chegar antes da música. Mas agora a batida marcial entrecortada, mas agora a guitarra cristalina, mas agora a voz susurrante, e agora eu , mas agora eu, mas agora eu. Outros carros passam em vôo nupcial. O travão de mão esganiçou-se. As cordas ainda vibram soltas do seu constrangimento. O silêncio perdura. A ignição continua ligada. As luzes do Coliseu acendem.


(The National - Coliseu do Porto, 23 de Maio de 2011)