Dez mulheres
People going nowhere
Produções Xaramaneco apresentam "People going nowhere", um filme de suporte ao tema "celebrate", por Dark Dark Dark, que por sua vez suporta o pôr-do-sol de costas para o mar.
Filmed on location at Matosinhos boardwalk.
Contemplai, mortais.
De A para B, com duas voltas à rotunda
O meu carro planava na estrada vazia, sob o pôr-do-sol. Essas são as estranhas tardes em que cada semáforo é uma dádiva e o objectivo é não chegar antes da música. Mas agora a batida marcial entrecortada, mas agora a guitarra cristalina, mas agora a voz susurrante, e agora eu , mas agora eu, mas agora eu. Outros carros passam em vôo nupcial. O travão de mão esganiçou-se. As cordas ainda vibram soltas do seu constrangimento. O silêncio perdura. A ignição continua ligada. As luzes do Coliseu acendem.
O avião das 06h00
Após alguns concertos em Portugal, que não incluiram a cidade do Porto (Guimarães), o "meu amigo" Neil Hannon, foi empacotado num vôo da Ryanair (liberdade poética) para se apresentar em pleno palco do queimódromo. Foi um claro dilema moral que se me apresentava: Ignorar o concerto do Mr. Divine comedy, perto de casa, ou enfrentar a troupe de rapazolas no limiar do coma alcoólico? Ainda bem que decidi ir, pois rapidamente conclui que a arena estava "reservada" a conaisseurs, que empunhavam as letras das músicas em jeito de estandarte. Foi o que motivou o homem para prosseguir, que entre um início de espéctaculo quase às duas da manhã e o batuque enervante das atracções de feira, quase esmoreceu. De nada adiantaram os seus pedido de clemência. "Crazy show", disse. Voltou no vôo das 06h00 (não é liberdade poética). Calculo que tenha passado um Domingo em convalescença. O concerto? só para conaisseurs. É a divina comédia.
The wave pictures
Red hot

El chamamento
Um destes dias almoçava num El restaurante de uma El área comercial quando ouvi uns repenicados beijos. Continuei o almoço até que não muito tempo depois, esses soluços apaixonados se fizeram ouvir de novo. Olhei de soslaio adivinhando algum par enamorado, o que não aconteceu. Quando a situação já estava a ultrapassar o razoável reparei que eram os funcionários que se chamavam entre si daquele modo, o que confirmei em visitas posteriores. Imagino que algum guru da hierarquia tenha encontrado esta forma de chamamento, que confesso ser melhor do que um berro ou o assobio estridente. Fica aqui a moral da história: Podem não gostar do vosso emprego, mas lembrem-se que pelo menos não têm de “mandar beijinhos” aos colegas.
O Bruno Aleixo
O “Bruno Aleixo” pode ser o passo seguinte do humor. Para lá do nonsense, as suas frases são descontrucções das nossas conversas diárias (aquele esforço que fazemos em dizer algo que nos alimente certezas). Bairrista (Coimbra), egoísta e rezingão. Com um aspecto entre um cão e um ewok (ser da mitologia da guerra das estrelas) conversa com o seu amigo, o busto (literalmente um busto em pedra), numa atmosfera de separadores televisivos de estilo retro. A voz, de um característico Beirão, semi-rural, demonstra o resto da estranheza deste programa. Esperemos que a sua aparição na Antena 3 não desfaça o mito. Como ele costuma dizer: “em duas palavras: Bru-tal”!


